Resenha - A Rebelde do Deserto
Autor: Alwyn Hamilton
Páginas: 312
Editora: Seguinte
Essa história se passa no deserto de Miraji que é governado por mortais, porém criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia.
De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada,onde o futuro lhe reserva um casamento forçado e consequentemente a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, a única solução é fugir dali.
Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.
Amani, infelizmente, nasceu mulher e não tem direito de decidir seu futuro. Órfã há alguns anos, mora com seus tios e está prestes a ser prometida em casamento quando decide fugir. Ao se deparar com um forasteiro em uma situação nada convencional, ela percebe que ele é a chave para sua liberdade, o que se prova verdade, quando é obrigada a fugir em cima de um buraqi, um ser primordial na forma de um cavalo.
A partir de sua fuga, passamos a acompanhar a aventura de Amani com Jin, o forasteiro com mil e um segredos, acusado de traição pelo sultão Omã. Além dos perigos do deserto, eles devem se preocupar com a guarda do sultão e o exército gallan, que trabalha com uma aliança muito frágil com o sultão e também com os seres primordiais, criaturas mágicas do deserto que são atraídas pelo fogo e repelidas por ferro.
A autora caprichou na narrativa, mesclando os diálogos com as explicações de modo que a leitura flui com rapidez.
Mesmo no começo, quando parece um pouco monótono, temos cenas de ação de tirar o fôlego. As cenas de ação são tão boas que compensam a parte explicativa – e necessária – sobre a política da região e a rebelião liderada pelo príncipe Ahmed, um dos filhos do sultão, além de contar também sobre as várias lendas dos seres primordiais, boa parte delas sobre djinnis.
Já os personagens são a cereja do bolo. Amani é destemida e não aceita um destino que lhe é imposto por sua família (e que família horrível!). Jin passa a ser o parceiro ideal para sua fuga, mesmo sem a mira tão boa quanto a dela. Outros personagens secundários merecem destaque, como Noorsham (leremos mais sobre ele, com certeza) e Shazad, uma jovem mais forte do que muito marmanjo. O próprio Ahmed, embora não tenha tanta participação, tem uma presença forte.
E, claro, temos um romance. Mas não se enganem: não é o foco da história e é muito, mas muito leve, bem superficial. Mas está lá, colocado de forma natural e o melhor: sem forçar a barra.
Um livro que fala sobre desigualdade social e de gênero, onde as mulheres mal tem valor e com uma boa dose de fantasia e faroeste. Claro que recomendo!

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